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  • Claudio Pfeil

Adorno & Horkheimer (3) DO PARADOXO CENTRAL À AUTOALIENAÇÃO DO HUMANO (Dialética do Esclarecimento)

1) PARADOXO CENTRAL – Os ideais emancipatórios do esclarecimento e do progresso herdados da Aufklärung, produziram seu exato oposto: obscurecimento e autodestruição da razão, colapso da sociedade. O pensamento reduzido à razão pragmática e instrumental, provocou dupla regressão: da razão à mitologia, da civilização à barbárie.


2) HOMERO COMO MATRIZ DO ESCLARECIMENTO – Segundo Adorno e Horkheimer (A&H), muito antes do início do pensamento filosófico (préssocráticos), a mitologia de Homero, graças à antropomorfização dos deuses, já constitui uma racionalização. É, portanto, em Homero (Odisséia) que A&H vão desenredar a matriz do esclarecimento que deu origem ao processo civilizatório.


3) O QUE FAZ O MITO? – Etimologia. Diferença entre Magia e Mito, mimese e significação. Da narrativa à teoria: “relatar, denominar, dizer a origem, mas também expor, fixar, explicar” (A&H). Homero: o “distanciamento progressivo em relação ao objeto” e “o mundo submetido ao domínio dos homens” (A&H). Logos no comando e poder como princípio de todas as relações: o mito homérico (sec VIII a.c) como prefiguração “saber é poder” (Francis Bacon, sec XVII). Dupla conversão: “O mito converte-se em esclarecimento, e a natureza em mera objetividade” (A&H).


4) O PREÇO DA DUPLA CONVERSÃO: O RETORNO DO ESCLARECIMENTO AO MITO – “O mundo como um gigantesco juízo analítico, o único sonho que restou de todos os sonhos da ciência, é da mesma espécie que o mito cósmico” (A&H). Diferença entre juízo analítico e juízo sintético (Kant). A redução do mundo a um esquema puramente lógico e formal, como mera repetição do mito.


5) CONSEQUÊNCIA DRAMÁTICA, RADICAL, DA SOBERANIA DA RAZÃO PRAGMÁTICA – A transformação do próprio homem, na sociedade burguesa e industrial, em mera objetividade e sua consequente dominação: a inevitável autoalienação do humano por aquilo que ele próprio produz. A razão pragmática – calculista, manipuladora, mercantil – como uma das bases da divisão do trabalho e das formas de dominação como conhecemos na atualidade. “Esse entrelaçamento de mito, dominação e trabalho está conservado em uma das narrativas de Homero. (...) O esclarecimento fica cada vez mais enredado, a cada passo que dá, na mitologia.” (A&H).


Claudio Pfeil

CASA VIT(R)AL


13/8/2020

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