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  • Claudio Pfeil

1. Eduardo Marinho (sociedade perversa)


Você viola a consciência para ter garantia social. É mais uma característica de nossa sociedade: uma sociedade perversa que exige perversidade pra poder te considerar. Se você quer ter privilégio, você vai ter que exercer algum tipo de perversidade. Se você quer manter seus direitos, você vai ter que ser indiferente com a injustiça, vai ter que aceitar a injustiça como uma coisa natural, se você ficar reclamando muito de injustiça, você vai ser alijado, você vai ser estranhado, estranho, problemático, polêmico. Você vai ser discriminado. Então, o que a sociedade me cobra? Conivência. Eu tenho que massacrar meus sentimentos, violar minha consciência, porque é uma sociedade mau caráter e perversa, me cobra mau caráter e perversidade, se não, não me considera. Experimenta fincar o pé e fala “eu não abro mão um milímetro da minha consciência, o que eu ver de errado eu vou contar, vou denunciar”. Você morre, perde seu patamar, você é expulso, vai ser estranhado. “Se todo mundo viola a consciência, quem é você?” Isso eu ouvi do meu pai.


Eduardo Marinho


CASA VIT(R)AL


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