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  • Claudio Pfeil

Indústria Cultural e Racismo



A Industria cultural é uma cultura do entretenimento, cujo objetivo é a produção de um consenso que legitime o status quo (ordem capitalista), a “desordem social” (Freire). "Quando todos os homens pensam igual, nenhum pensa muito" (W. Lippman). A reprodução de estereótipos é o que possibilita que a indústria cultural se torne o único referente do pensamento público. Por isso, não difere da propaganda: os consumidores são “reduzidos a um simples material estatístico” (A&H). Nesse video, explicitamos o conceito de filmes “classe A e B”, com base em filmes ícones de faroeste, e debatemos o “supremacismo branco” em paralelo com a luta antirracista de Angela Davis.


1) ORIGEM DOS FILMES "CLASSE A, B” – Grande Depressão (década de 30): fechamento de 1/3 das salas de cinema. Solução (astúcia): sessão dupla (1 ingresso = 2 filmes) - filme principal (A), grande produção; filme secundário (B), mais barato ("poverty row" = linha de pobreza): faroeste (infanto-juvenil), gangster, “água com açúcar”. Início da produção em série de filmes de faroeste: “O que é novo na fase da cultura de massas é a exclusão do novo. A máquina gira sem sair do lugar. Ao mesmo tempo que já determina o consumo, ela descarta o que ainda não foi experimentado porque é um risco” (A&H).


2) REPUBLIC PRODUCTION – 1935: mais famosa empresa subsidiária de Filme B . Atores desconhecidos, posteriormente astros - R. Rogers, G. Autry, J. Wayne, F. Coppola, J. Cameron - aí surgiram.


3) ASTROS DE FILME B –


3.1) GENE AUTRY, “cowboy cantor”: primeiro astro de filme B; disco, programa de rádio, cinema, televisão, revista em quadrinho; empresário (rádio e TV; editoras musicais e hotéis, poços de petróleo, time de beisebol). “A cultura contemporânea confere a tudo um ar de semelhança. O cinema, o rádio e as revistas constituem um sistema. Cada setor é coerente em si mesmo e todos o são em conjunto” (A&H);


3.2) ROY ROGERS: "Sob as Estrelas do Oeste" (1938); sua esposa (Dale Evans) e cavalo (Trigger): centena de filmes. Restos mortais do cavalo Trigger leiloado. Não separação entre a vida real e a tela do cinema: “A vida não deve mais deixar-se distinguir do filme: o filme adestra o espectador entregue a ele para se identificar imediatamente com a realidade” (A&H). Fungibilidade: “Os detalhes tornam-se fungíveis. (...) todos os detalhes, clichês prontos para serem empregados arbitrariamente aqui e ali (...) Desde o começo do filme já se sabe como ele termina, quem é recompensado.” (A&H)


3.3) JOHN WAYNE: astro preferido nos EUA, “ícone” que personifica os valores da nação. Playboy, 1971: posição racista, homofóbica, anti povos nativos indígenas. 2020: pedido de remoção do nome John Wayne do aeroporto de Orange County. Movimento nos EUA e no mundo em favor da remoção e demolição de símbolos “supremacistas brancos" (c.f Borba Gato, SP), principalmente após assassinato de G. Floyd


4) ANGELA DAVIS – das maiores ativistas feministas, políticas, antirracistas de nosso tempo; filósofa, professora; nasceu em 1944, Birmingham, Alabama (controlado por supremacista branco); racismo desde a infância, bairro apelidado “colina da dinamite”: constantes bombardeios realizados por racistas e supremacistas brancos para expulsar famílias negras; terrorismo Ku Klux Klan. “Nós sabíamos que o papel da polícia era proteger a supremacia branca ” (A. Davis). Racismo entranhado nas estruturas políticas e sociais. Militância contra discriminação racial (“Partido das Panteras Negras”, "Black Power"); filia-se ao PC; luta pela libertação de 3 jovens ativistas presos; acusada de sequestro, conspiração e assassinato; A. Davis na lista dos 10 Fugitivos mais procurados do FBI; presa em outubro de 1970. Mobilização mundial por sua libertação; após 16 meses, julgada e declarada inocente. Prisão de A. Davis: ligada não apenas a sua ação política individual, mas a toda uma estrutura criada para criminalizar o movimento negro nos EUA.


5) TOKENISMO – Etim ing. token = símbolo. Prática simbólica de inclusão de membros de minorias, recrutando pequeno número de pessoas de grupos sub-representados para dar aparência de igualdade racial ou sexual; “solução” que apenas “reconhece” um problema, sem realmente resolvê-lo. Martin Luther King Jr.: tokenismo como aceitação mínima do povo negro ao “mainstream” (corrente principal) da sociedade dos EUA. Malcolm X, ativista de direitos humanos, indagado sobre “ganhos” do Movimento dos Direitos Civis: “Que ganhos? Tudo o que você conseguiu foi um tokenismo - um ou dois negros em um emprego, ou em um balcão de almoço, para que o resto de vocês fique quieto”. Martin Luther King Jr e Malcolm X: assassinados.


6) RACISMO: FORMATAÇÃO DO OLHAR QUE INVISIBILIZA PESSOAS NEGRAS – Murilo Araújo: Se o gosto é assim uma coisa tão pessoal, por que todo mundo tem o mesmo gosto? A cultura da gente invisibiliza as pessoas negras, a gente simplesmente não se dá conta de que elas existem


Claudio Pfeil


CASA VIT(R)AL 29/10/2020




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