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  • Claudio Pfeil

“LULA ROUBOU O PAÍS”

Atualizado: 15 de mai. de 2020

“Lula roubou o País” e fez o PIB crescer em média 4%.

“Lula roubou o País” e baixou a inflação de 12,53% a 5,9 %.

“Lula roubou o País” e fez o Brasil passar da décima terceira posição à sétima, no ranking global de economias.

“Lula roubou o País” e as reservas internacionais do Brasil tiveram aumento de cerca de US$ 250 bilhões.

“Lula roubou o País” e tirou o Brasil do mapa da fome.

“Lula roubou o País” e colocou pretos e pobres nas instituições federais de Ensino Superior e Ensino técnico de nível médio, sancionando a lei de cotas que lhes garante 50% de vagas.

“Lula roubou o País” e homologou a obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio.

“Lula roubou o País” e sancionou lei de obrigatoriedade do ensino de Música nas escolas de educação básica.

“Lula roubou o País” e tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.

“Lula roubou o País” e criou o Programa Ciência Sem Fronteiras que permite a pesquisadores brasileiros estudar em centros de desenvolvimento científico e tecnológico do mundo.

“Lula roubou o País” e mais do que triplicou o número de bolsas de mestrado e doutorado.

“Lula roubou o País” e nenhum suspeito de assassinar Marielle bateu a sua porta no dia do extermínio procurando "Seu Lula".

“Lula roubou o País” e a primeira-dama não teve depósito de miliciano em sua conta. “Lula roubou o País” e não condecorou milicianos.

“Lula roubou o País” e não empregou mais de cem funcionários fantasmas, amigos e parentes seus.

“Lula roubou o País” e seu filho Lulinha não tinha trinta e sete imóveis.

“Lula roubou o País” e seus filhos não faziam “rachadinha”.

“Lula roubou o País” e seus filhos não tinham um “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto, encarregado de disseminar informações falsas na internet.

“Lula roubou o País” e não encontraram trinta e nove quilos de cocaína no avião presidencial.

“Lula roubou o País” e não teve Bispo Macedo e Silvio Santos a seu lado no palanque de Sete de Setembro.

“Lula roubou o País” e não interferiu na Polícia Federal para acobertar crimes atribuídos a seu filho.

“Lula roubou o País” e não apareceu vídeo dele dizendo “querem foder com minha família. Não vou esperar foder minha família. Troco todo mundo da segurança, troco chefe, troco o ministro”.

“Lula roubou o País” e não ameaçou metralhar ninguém.

“Lula roubou o País” e não disse que o defeito da ditadura foi não ter matado mais.

“Lula roubou o País” e não sentiu “saudades de Geisel, Médici e Figueiredo”.

“Lula roubou o País” e não disse que não houve ditadura no Brasil.

“Lula roubou o País” e nenhum secretário seu cantarolou jingle da época da ditadura na TV, nem plagiou discurso de nazista.

“Lula roubou o País” e não foi considerado, dentro e fora do País, fascista nem nazista.

“Lula roubou o País” e não ameaçou a democracia ao longo de treze anos de PT no poder.

“Lula roubou o País” e não berrou aos jornalistas “cala a boca, não te perguntei nada!”.

“Lula roubou o País” e fortaleceu as instituições garantindo-lhes autonomia.

“Lula roubou o País” e sancionou a Lei de transparência que obriga União, estados e municípios a divulgar gastos na Internet em tempo real.

“Lula roubou o País” e nunca deu vexame na ONU, em parte alguma do mundo.

“Lula roubou o País” e foi, e é, aclamado pela maioria dos líderes mundiais, Papa Francisco inclusive.

“Lula roubou o País” e foi tratado por Barack Obama de “esse é o cara”.

“Lula roubou o País” e recebeu título de cidadão honorário de Paris.

“Lula roubou o País” e não insultou Presidente de País nenhum, muito menos primeira-dama estrangeira.

“Lula roubou o País” e recebeu não sei quantos títulos “honoris causa” de universidades renomadas no mundo inteiro.

“Lula roubou o País” e a diplomacia brasileira era das mais respeitadas.

“Lula roubou o País” e seu chanceler nunca afirmou que “aquecimento global é uma invenção marxista” e que “a pandemia é trama comunista”.

“Lula roubou o País” e seu ministro do meio ambiente não considerou “sensacionalismo ambiental” as imagens feitas por satélites da Amazônia devastada por queimadas.

“Lula roubou o País” e seu ministro da educação não cortou verba das universidades pretextando “balbúrdia”, não teve programa de privatização do ensino público, não decretou o fim da TV Escola, não acusou reitores de ter “plantações extensivas de maconha em algumas universidades”, e que por isso, “todos tinham que ir para a cadeia”.

“Lula roubou o País” e sua ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos não afirmou que “meninas são estupradas porque elas não usam calcinhas”.

“Lula roubou o País” e não recomendou fazer cocô dia sim dia não para cuidar do meio ambiente e lutar contra a poluição.

“Lula roubou o País” e não extinguiu o Ministério da Cultura.

“Lula roubou o País” e não disse que “ninguém quer saber de jovem com senso crítico”.

“Lula roubou o País” e não chamou Paulo Freire - terceiro autor mundialmente mais citado em trabalhos acadêmicos na área de Humanas – de “energúmeno”.

“Lula roubou o País” e o jornal “Le Monde” não publicou editorial “o Brasil sob ameaça da idiocracia”

“Lula roubou o País” e nunca declarou que “diversidade é um mal a ser combatido”.

“Lula roubou o País” e não julgou que “quilombola, nem para procriador, serve mais”.

“Lula roubou o País” e não disse que não corria o risco de seus filhos namorarem uma negra porque foram muito bem educados”.

“Lula roubou o País” e não considerou que “o tamanho das terras indígenas demarcadas no país é abusivo”.

“Lula roubou o País” e não pensou que “cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”.

“Lula roubou o País” e não achou que “ter filho gay é falta de porrada”.

“Lula roubou o País” e lançou o programa Brasil sem homofobia.

“Lula roubou o País” e não disse que não estupra mulher “porque ela não merece”.

“Lula roubou o País” e não pensou que quem se infectou de HIV, "se não se cuidou, problema dele!"

“Lula roubou o País” e não desacatou recomendações sanitárias da OMS pondo em risco a vida da população.

“Lula roubou o País” e a “The Lancet”, mais importante revista médica do mundo, não publicou que “a liderança do Brasil perdeu sua bússola moral” e que “tal desordem no coração da administração é uma distração mortal no meio de uma emergência de saúde pública”.

“Lula roubou o País” e não respondeu “e daí?” quando indagado sobre milhares de compatriotas mortos.

“Lula roubou o País” e não marcou churrasco nem passeio de jet ski em meio a uma tragédia, qualquer que fosse.

“Lula roubou o País” e o jornal “Libération” não publicou que o Presidente do Brasil comete “populicídio”.

“Lula roubou o País” e não é tratado, dentro e fora do País, de genocida.


“Lula roubou o País” e saiu do segundo mandato com recorde de aprovação: mais de 80%.

“Lula roubou o País” e foi condenado, preso, “por convicção”, não por prova.

“Lula roubou o País”.

Esse é o mantra dos patriotas, dos “não tenho bandido de estimação”, “não compactuo com corrupto”, gente de bem; dos que procuram justificar o injustificável e defender o indefensável; e mais: defenderem-se a si próprios da responsabilidade moral que lhes incumbe frente a escolha hedionda que fizeram: o fascismo – o que nos enche de vergonha e reprovação ante os olhos aterrados do mundo pensante e civilizado. O custo da negação da Ciência, da História, dos fatos - a “idiocracia”, repetindo o Le Monde, que chancela todo tipo de incivilidade, autoriza o pior e mais desumano no humano -; o custo, estamos todos pagando, nada mais nada menos do que isto: vidas perdidas, destroçadas, aos milhares.

E tal qual o canto das sereias da mitologia, seu poder encantador conduz o barco ao abismo, os marinheiros à morte. Quem dera tivéssemos tido um Odisseu que se amarrasse ao mastro e ordenasse à tripulação que tapassem os ouvidos com cera afim de não escutar o canto, não se deixar seduzir, e sim, resistir. Resistir aos encantos que levam à morte, não ouvir o canto que evita-nos cair em emboscada. Cantos e encantos populistas, nacionalistas, negacionistas, moralistas, fundamentalistas, supostamente patrióticos, “valores tradicionais da família”.

O silêncio como aliado, resistência. O silêncio como reflexão, reflexo. O silêncio que faz eco. Eco do abismo, das profundezas das covas rasas, dos cadáveres que continuam a se amontoar: o que fazer com o monstro que alimentamos sob o en-canto “Lula roubou o País”, e que a tudo devasta e a todos devora?

Claudio Pfeil


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