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  • Claudio Pfeil

O QUE O ESPAÇO FÍSICO PODE NOS ENSINAR?


Um dos aspectos que mais me chamaram atenção na Escola Maria Teixeira diz respeito ao que Paulo Freire chama de “pedagogicidade do espaço”. Na Escola Maria Teixeira, há vários ensinamentos proporcionados pelo espaço físico.


As salas de aula, por exemplo, são casinhas coloridas: o espaço da casa “ensina” que o espaço da sala de aula é uma continuação do lar, cuja palavra vem do latim Laris, “espírito protetor”; o espaço da sala de aula é, portanto, um espaço de paz, aconchego, amparo. As diferentes cores ensinam que cada um é de um jeito, e toda diferença, seja ela qual for, é motivo de celebração, por constituir uma fonte, não de escassez, mas de riqueza, acréscimo, inclusão, conforme o lema da escola: “uma escola sustentável para todos”. A esse respeito, horta, jardim, reciclagem - práticas de sustentabilidade cotidianas - “ensinam” cuidado com o meio-ambiente, e casinhas coloridas compondo uma vila em meio à natureza, “ensinam” que a identidade cultural deve ser reconhecida e assumida - no caso dos alunos, sua cultura rural, fora dos padrões elitistas, preconceituosos, autoritários. As turmas são nomeadas a partir de elementos da natureza, por exemplo “morango”, “borboleta”, sem hierarquia de importância - diz a diretora Silvana Vasconcelos - para evitar preconceitos.


Na chácara onde se cultiva a Escola Maria Teixeira, há, portanto, reiterando Freire, “uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço”: bonita de se ver, amorosa de se fazer, respeitosa de se viver.


Ela ensina a respeitar e a se fazer respeitar, começando pelo próprio espaço.


Claudio Pfeil


CASA VIT(R)AL

Debate: Escola Maria Teixeira: um exemplo de concretização da “utopia em Paulo Freire”

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